O Programa O Programa

APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA

O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (PPGH/UFPE) tem como OBJETIVO GERAL enriquecer a formação acadêmica dos profissionais da área de História e afins – ampliando os seus conhecimentos adquiridos na graduação e desenvolvendo suas capacidades no campo do ensino e da pesquisa – com vistas ao aperfeiçoamento dos quadros para o magistério do ensino fundamental, médio e superior, mas também para a administração pública, especialmente em Centros de Pesquisa, Bibliotecas, Arquivos, Museus, Institutos Culturais etc.  

São seus OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Oportunizar uma sólida formação científica na área de ensino de História e áreas afins, buscando formar profissionais comprometidos com o bem comum e preocupados em atender as demandas da sociedade, em especial, de seus segmentos mais vulneráveis; incitar nos discentes uma atitude investigativa que os estimule a buscar um constante aperfeiçoamento profissional e uma permanente atualização de seus conhecimentos sobre as mais recentes tendências da historiografia; formar quadros de alto nível profissional para a atender as demandas das instituições de educação de ensino fundamental, médio e superior, bem como de outras instituições públicas e/ou privadas, tais como Centros de Pesquisa, Bibliotecas, Arquivos, Museus, Institutos Culturais etc.; bem como, promover a divulgação e o intercâmbio da produção científica no campo da História e áreas afins, a partir da realização de eventos e do desenvolvimento de projetos comuns com outras instituições de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. 

Sua ÁREA DE CONCENTRAÇÃO é “SOCIEDADES, CULTURAS E PODERES”, que a partir de uma perspectiva histórica multidisciplinar se debruça sobre problemáticas que abrangem territórios, temporalidades e sociedades diversas (Américas, África, Europa e Ásia), agregando estudos que não se limitam a uma noção restrita de espaço e de tempo na construção do passado histórico, mas que privilegiam os debates teórico-metodológicos no contexto das abordagens historiográficas de cada Linha de Pesquisa que compõem o Programa. As Linhas que compõem a Área concordam ainda na relevância da pesquisa no plano macro e micro e na possibilidade teórico-metodológica de realizar uma História sempre conectada às discussões historiográficas transnacionais, a temporalidades e abordagens múltiplas. A Área contempla, portanto, uma perspectiva historiográfica que se projeta universal. Afinal, o escopo de toda pesquisa, ao se constituir num tempo e num espaço determinado, tem a possibilidade de transcender os limites empíricos dados, por meio do tratamento teórico-metodológico construído a partir das problemáticas formuladas no cruzamento das diferentes fontes documentais.

Seu quadro de professores conta atualmente com 42 docentes: (todos doutores), dos quais 38 são permanentes (90%) e 4 colaboradores (10%), divididos entre as linhas de pesquisa a seguir.

CULTURA E MEMÓRIA (desde 2004)

A Linha Cultura e Memória desenvolve estudos e pesquisas voltados preferencialmente para o tempo presente, podendo, contudo, abranger outros recortes temporais. Articula-se com as reflexões e debates teórico-metodológicos que contemplam os conceitos de cultura e memória. Estes conceitos operam com referenciais teóricos em sintonia com um amplo espectro de temáticas e privilegiam discursos e práticas culturais associados ao plano político, sociocultural e econômico. A diversidade de abordagens teóricas encontra-se imbricada às categorias temporais e espaciais em sua multiplicidade. A cultura pensada nas diversas formas de fazer e dizer, singulares a temporalidades e espacialidades próprias, é perpassada por fluxos de mudança e alteridade, associados aos múltiplos legados do passado. O percurso epistemológico, que os estudos sobre memória e história propõem, tem em vista a análise do espaço de experiência e do horizonte de expectativa em que futuro, passado e presente se imbricam.  As representações do passado e do presente são, desse modo, alvo da constante tensão dos movimentos de ressignificação. Nesse diapasão, Linha a de Cultura e Memória tem buscado discutir os usos do passado, notadamente no campo do patrimônio cultural. Além disso, ainda no âmbito da cultura, a Linha também desenvolve estudos e pesquisas sobre o campo intelectual, as políticas públicas de cultura, e as relações de gênero, dentre outros temas.  No que tange às reflexões e análises sobre a memória, essas têm como referência categorias e conceitos que ao atenderem as problemáticas historiográficas rompem a linearidade cronológica, a imagem do passado como acumulação de bens culturais e a fixidez do espaço temporal. Nessa mesma perspectiva, a produção narrativa é constitutiva do pensamento e da escrita da história. Portanto, ao operar com as multiplicidades e diversidades, a Linha de pesquisa Cultura e Memória desenvolve intenso diálogo com diferentes abordagens teóricas em estreita conexão com as temáticas advindas das diferentes pesquisas, que os variados corpora documentais suscitam.

RELAÇÕES DE PODER, SOCIEDADE E AMBIENTE (desde 2011)

A Linha Relações de Poder, Sociedade e Ambiente busca articular temas da história social, política, econômica e cultural, além da temática ambiental, nas épocas moderna e contemporânea. Prezando pela pluralidade de enfoques e diversidade dos aparatos conceituais, ela pode também incluir uma abordagem em espaços geográficos diversos. As relações de poder compreendem condutas de agentes históricos individuais e coletivos, e os contextos nos quais estão imersos, tanto no âmbito mais geral das lutas, quanto no espaço do cotidiano. As temáticas exploradas compreendem a história da saúde pública; das relações entre seres humanos e natureza; Estado e elites; cidadania; movimentos sociais; relações de trabalho; questão fundiária, de gênero, povos originários e comunidades tradicionais, além de debates teóricos em torno da construção do conhecimento histórico.

MUNDO ATLÂNTICO (desde 2011)

Ao longo do período moderno, as interconexões entre América, África e Europa se intensificaram proporcionando a construção de intercâmbios de pessoas, mercadorias, ideias e práticas. A chegada da contemporaneidade acelerou ainda mais essas dinâmicas, uma vez que novos meios de transportes e comunicações encurtaram as distâncias e possibilitaram o contato remoto. A Linha Mundo Atlântico procura enquadrar suas abordagens nesse espaço devassado a partir do século XV e cada vez mais utilizado, desde aquele momento, como elo entre as diversas áreas continentais que lhe circundam (inclusive seus espaços interiores) e as outras massas oceânicas do planeta. Nessa perspectiva, consideramos essencial dedicar atenção aos aspectos que transcendem os limites políticos de  entes nacionais e imperiais, valorizando precisamente as conexões, os intercâmbios e as diásporas ocorridas ao longo de cinco séculos, procurando observá-los tanto nos núcleos onde eles são mais evidentes (como as cidades e os portos), como nos locais onde exijam mais esforço para serem vislumbrados (sertões, fronteiras, comunidades isoladas geográfica ou socialmente e no próprio oceano). Nesse sentido, postulamos que, dentro do universo de temporalidades e espacialidades que o mundo atlântico oferece, a noção de uma descentralização na construção dos objetos de pesquisa pode ampliar os horizontes investigativos, permitindo trilhar searas antes interditas ou subvalorizadas em razão de impedimentos conceituais. As múltiplas temáticas e metodologias enquadradas numa abordagem atlântica estimulam o diálogo com aportes teóricos variados, inclusive de outras áreas das humanidades. Romper os moldes eurocêntricos que tradicionalmente balizaram as pesquisas exige um olhar atento à multiculturalidade, à multietnicidade, aos intercâmbios multidirecionados e à própria diversidade de realidades contidas no espaço-tempo enfocados. A Linha Mundo Atlântico abriga pesquisadores com projetos que busquem entender questões vinculadas a essa noção de Mundo Atlântico, à construção e circulação de ideias, identidades e instituições, às múltiplas faces e resultados das interações e relações entre as Américas, África e Europa.

SABERES HISTÓRICOS: TEORIA, ENSINO E MÍDIAS (desde 2021)

A Linha de pesquisa Saberes Históricos: Teoria, Ensino e Mídias tem por objetivo problematizar e discutir elementos teóricos e metodológicos na construção da história como forma de conhecimento, narrativa e ensino, destacando os usos da História em práticas socioculturais em suas relações com as mídias nas sociedades contemporâneas. A composição dessa Linha se caracteriza pelos atuais debates presentes na teoria da História e da Didática da História com expoentes na Alemanha, Inglaterra e Canadá. Propõe trabalhos que articulam a construção de narrativas e seus usos na História e no Ensino, possibilitando reflexões sobre como as mídias em diálogo com a sociedade e os indivíduos se apropriam dos saberes históricos, constroem-nos e os ressignificam. E, como esses saberes estão presentes numa História Ensinada, trazendo as discussões do Ensino para o campo História, entende-se que a história é ordenada culturalmente e de diversos modos, uma vez que os significados são reavaliados quando postos em prática possibilitando estudos que admitam conhecimentos complexos e a partir múltiplos saberes históricos. Seus campos: estudos de prática histórica, o ensino de história, produção e aprendizado histórico, teorias e metodologias da História, narrativas históricas presentes no uso das diversas mídias e suas linguagens.

DO ANTIGO AO MODERNO: PODERES, CULTURAS E DISCURSOS (desde 2021)

A Linha tem como propósito investigar os mais diversos aspectos das sociedades que se constituíram durante os períodos tradicionalmente convencionados como Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna, em diversos recortes espaciais. Para tanto, se propõe a ir além dos horizontes do paradigma nacionalista e das bases ideológicas de cunho identitário, dentro dos quais grande parte da reflexão sobre essas temporalidades anteriores à constituição dos estados nacionais contemporâneos se produziu. No contexto dessas diversas temporalidades, aqui percebidas no entrecruzamento com as espacialidades plurais, a Linha se dedica, mais especificamente, à reflexão sobre as instituições e modos de organização político-sociais; às linguagens políticas e às formas de exercício do poder; às relações estabelecidas entre os sujeitos e os grupos sociais, suas redes e às formas de sociabilidade; às relações de gênero e de alteridade; às relações entre poder e religião; à produção material, cultural e intelectual: às relações entre escrita e oralidade; aos valores e concepções (tradições, costumes, crenças, ideologias, utopias); às formas e às transformações do discurso histórico e aos usos do passado.

HISTÓRICO DO PROGRAMA

O PPGH/UFPE foi uma das primeiras pós-graduações em História do nosso país. Fundado em 1974, inicialmente, apenas como curso de MESTRADO, teve o seu curso de DOUTORADO implementado em 1991. Ao se constituir, o PPGH/UFPE contava com duas Áreas de Concentração: História do Norte e Nordeste do Brasil e Pré-história do Brasil. Posteriormente, através de um Convênio com a Universidade Federal da Paraíba, foi criada uma terceira Área: Metodologia do Ensino da História. Em 2003, duas das três Áreas de Concentração que compunham o PPG transformaram-se em duas Pós-Graduações independentes: o Mestrado em Pré-História da UFPE e o Mestrado em Teoria e Metodologia do Ensino da História da UFPB. Como consequência dessa separação, a partir de 2004, o PPGH/UFPE passou a ter uma Área de Concentração única – História do Norte e Nordeste do Brasil – organizada em duas Linhas de Pesquisa: “Poder Político e Movimentos Sociais” e “Cultura e Memória”. Os frutos de tal reformulação permitiram que dois anos mais tarde (2006) o Programa obtivesse conceito 5 na avaliação realizada pela CAPES relativa ao triênio anterior (avaliação que foi mantida até 2012). Para uma melhor adequação do Programa às pesquisas desenvolvidas seu corpo docente, em parte renovado, houve em 2011 uma reconfiguração das Linhas de Pesquisa. Passaram então a existir três Linhas de Pesquisa: “Cultura e Memória”, “Relações de Poder, Sociedade e Ambiente” (reformulação da antiga Linha “Poder Político e Movimentos Sociais”) e “Norte-Nordeste Mundo Atlântico”. Em 2016, para melhor contemplar o potencial de orientação e produção científica de antigos e novos membros do Corpo Docente, cujos horizontes de interesses e pesquisas já iam muito além da “História do Norte e Nordeste” (antiga Área de Concentração deste Programa), a Área de Concentração do PPGH/UFPE foi alterada para “Sociedades, Culturas e Poderes”.  Em 2021, com o intuito de atender a demanda por novas possibilidades de formação em nível de Pós-graduação na região Norte e Nordeste, bem como de incorporar novos membros altamente especializados recentemente ingressados no Departamento de História da UFPE e em outras instituições de ensino da região foram criadas duas novas Linhas de Pesquisa: “Saberes Históricos: Teoria, Ensino e Mídias” e “Do Antigo ao Moderno: poderes, culturas e discursos”.

Destacamos, ademais, que ao longo dos 46 anos de sua existência, o PPGH/UFPE vem desempenhando continuamente suas atividades de produção de conhecimento histórico (até hoje foram defendidas 636 DISSERTAÇÕES E 238 TESES) e de formação de novos profissionais na área de História. Importante tem sido o papel exercido na formação de novos quadros acadêmicos para atender a contínua demanda de professores mestres e doutores para as escolas e as universidades no território nacional, em particular nas regiões Norte e Nordeste.

Destacamos ainda que circula ininterruptamente desde 1977, antes na forma impressa e atualmente apenas em formato digital, a CLIO: REVISTA DE PESQUISA HISTÓRICA (ISSN 0102-4736), periódico publicado por este PPGH. 

PERFIL DO EGRESSO

Espera-se que os egressos do PPGH/UFPE, advindos da graduação em História e cursos afins, sejam capazes de: conceber a pesquisa científica como etapa necessária à produção de saberes; compreender a relação intrínseca entre pesquisa e ensino e transpor para o seu campo de atuação (instituições de ensino básico e superior, centros culturais, de pesquisa, entre outros) os conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação acadêmica. Espera-se, igualmente, que eles sejam dotados das competências e dos valores cidadãos necessários para cumprir de forma idônea suas funções ao assumirem cargos públicos e privados em setores do magistério, pesquisa, gestão educacional, administração, políticas públicas e correlatos. 

Para conhecer o Regimento do Programa e obter outras informações navegue no nosso site. Sejam bem-vindos!