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Estudo descreve o passo a passo para identificar girinos de anfíbios na Mata Atlântica

Artigo foi publicado recentemente na revista Biota Neotropica

Após cinco anos debruçado numa pesquisa para decifrar o quase indecifrável, o mestrando do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da UFPE Marcos Dubeux elencou as características morfológicas e criou uma chave de identificação para distinguir os girinos de todas as espécies de anuros com fase larval conhecida e já registradas na Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco. A região engloba os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O estudo, publicado recentemente na revista Biota Neotropica com o título “Caracterização morfológica e chave taxonômica de girinos (Amphibia: Anura) da região norte da Mata Atlântica”, resulta de um grande desafio, pois, segundo Dubeux, “ao mesmo tempo em que os girinos de diferente espécies contam com muitas semelhanças morfológicas, também há escassez de ferramentas como chaves taxonômicas para diferenciá-los”.

De acordo com o autor, a maioria dos sapos, rãs e pererecas, os anuros, apresenta uma fase larval aquática chamada de girino e o Brasil abriga o maior número de espécies de anuros do mundo, sua maioria vivendo na Mata Atlântica. “São 1.071 no país e 625 nessa região, daí a grande quantidade de girinos que ocorrerem nesse bioma”, afirma. Entretanto, devido principalmente a essa diversidade, os pesquisadores se deparam com grande dificuldade para identificar a espécie desses animais a partir de uma análise de sua primeira fase de vida, ou seja, enquanto girinos.

Foi para ajudar a sanar esse problema que Marcos Dubeux, orientado nesse estudo pela professora da UFAL Tamí Mott e em colaboração com pesquisadores das instituições UFPE, UFAL, UFPB, UFRN e Unesp, elaborou um rol com características morfológicas de múltipla escolha que conduzem até a identificação da espécie, a chamada chave de identificação de girinos. Para o trabalho, foram analisadas características de 1.042 girinos pertencentes a 63 espécies de 32 localidades situadas na área de abrangência do estudo.

MÉTODO – Através dessa relação de características, é possível identificar a família, gênero, grupo de espécies e espécie a qual o girino pertence, seguindo um protocolo que sugere a exclusão ou inclusão da larva em determinados grupos. Com essa nova ferramenta, um aluno, pesquisador ou profissional de campo que queira saber a qual espécie de anfíbio um certo girino pertence dispõe agora de um passo a passo para fazê-lo. E para ilustrar o processo de identificação, os pesquisadores desenvolveram um vídeo de divulgação.

No vídeo, o girino analisado apresenta estruturas queratinizadas no aparato oral (Passo 1) e, portanto, o protocolo indica que, a partir dessa constatação, o pesquisador deve passar a verificar outra caraterística, nesse caso, o número de espiráculos (Passo 2). Ao se certificar que o girino analisado apresenta um par de espiráculos, ele é identificado como pertencente a espécie Pipa carvalhoi (uma rã-d’água). Da mesma forma, e de maneira relativamente fácil, a partir das sucessivas constatações das características relacionadas, o usuário do método vai chegar à identificação de todas as espécies da região.

O trabalho, que teve parte desenvolvida no Laboratório de Herpetologia (LHERP) do Centro de Biociências da UFPE, apresenta uma versão da chave de identificação nas versões em português e inglês, além de uma prancha com ilustrações das características utilizadas na chave, uma lista atualizada dos sapos que ocorrem no norte da Mata Atlântica, e fotos dos girinos de todas essas espécies. Para Dubeux, “estudos de base como este são essenciais para ajudar a acelerar o avanço de pesquisas e projetos de conservação; ainda mais na porção norte da Mata Atlântica, considerada proporcionalmente a mais ameaçada, menos protegida e com a biodiversidade menos conhecida de toda a sua extensão”.

Segundo o pesquisador, um apaixonado pela área do estudo, a relevância de pesquisar essas espécies consiste no fato de os anfíbios formarem o grupo de vertebrados terrestres mais ameaçado de extinção, com mais de 40% das espécies do mundo apresentando declínio populacional identificado ou já extintas e, ainda, muitas outras ainda sequer foram descritas. “Além disso”, ressalta “para a maioria das espécies conhecidas existem muitos gaps em seu conhecimento, um exemplo é que apenas cerca de 60% das espécies de sapos brasileiros têm seu girino conhecido”.

Mais informações
Marcos Dubeux

marcosdubeux.bio@gmail.com

Data da última modificação: 08/07/2020, 17:14

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